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O mistério do danone

O mistério do danone

Quando eu era pequena, havia duas marcas de iogurte: Danone e Chambourcy. A Danone era da Danone mesmo e a Chambourcy era da Nestlé. Na época, Danone era sinônimo de marca, a ponto de eu estranhar até hoje quando alguém pede um “iogurte”. Mas o ponto não é esse.

O ponto é que minha mãe, sempre que ia ao supermercado, comprava aqueles danones de bandeja, potes médios com seis unidades. E não dava outra: sempre havia cinco danones de morango e um maldito danone de coco. O de coco, evidentemente, ninguém tomava porque era horrível. Resultado: sempre havia um ou dois potes de danone de coco mofando na geladeira. Depois de dias, semanas, minha mãe desistia e acabava jogando o danone fora. Mas isso era só depois de ele estar MUITO além do prazo de validade.

Não era possível que trinta anos depois, em tempos de Procon, de pesquisas de hábitos e atitudes e de direitos do consumidor, aquele troço continuasse existindo

Sempre me perguntei porque diabos a Danone enfiava aquele troço de coco no meio dos outros de morango. Devia ser algum excedente de produção. Ou talvez o que sobrava depois de lavarem a máquina do danone de morango no final do dia, com detergente de coco. Porque, pensem comigo: se há realmente pessoas no mundo que gostam de danone de coco, a ponto de dar algum dinheiro por ele, porque o fabricante não faz bandejas só de coco? Hein, hein?

Um belo dia, minha mãe começou a implicar: se a gente queria tomar os danones de morango, tinha que tomar o de coco também. Mas ninguém tomava. Quando ela ameaçou parar de comprá-los, minha avó, com tendências para mártir, disse que ficaria com os de coco. Depois de algumas vezes, começou até a dizer que gostava, mas ninguém acreditou. Impossível gostar daquilo.

Outro dia, pagando meus pecados no supermercado, estava de passagem pela área de laticínios para comprar os danones das crianças e, adivinha só? Ali estava a bandeja com o tal danone de coco, impávido, firme feito uma rocha, no meio dos de morango. A marca era outra, mas a idéia era rigorosamente a mesma, sem tirar nem pôr. Peguei a bandeja, sem acreditar. Não era possível que trinta anos depois, em tempos de Procon, de pesquisas de hábitos e atitudes e de direitos do consumidor, aquele troço continuasse existindo.

Cheguei a uma única conclusão possível: deve haver alguém no mundo que goste daquilo. Alguém aí gosta?

OBS: Depoimento pessoal de uma pessoa anônima.

Ingredientes

Por que será que sempre tem um iogurte de coco na bandeja de morango?



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